BLOG

Bioconcreto

Bioconcreto
10 de Janeiro de 2019
Voltar

O bioconcreto ou também comumente chamado “concreto-vivo” foi desenvolvido pelo cientista microbiologista alemão Henk Jonkers, vendo o elevado gasto (cerca de 6 bilhões de Euros ao ano na União Européia) para correção de fissuras no concreto, desenvolveu então um material inovador, um tipo de concreto que realiza o fechamento de suas próprias fissuras.


O método utilizado para fabricação do bioconcreto consiste em adicionar uma espécie de bactéria e seu alimento na confecção do concreto. Após anos de testes, a utilização da bactéria bacillus pseudofirmus apresentou resultados satisfatórios por possuir elevada resistência em ambientes inóspitos e alcalinos como o concreto.


As bactérias são encapsuladas juntamente com lactato de cálcio que é seu alimento, ou seja, estão “adormecidas” e reagem em contato com a água. No momento em que a fissura se principia e ocorre a infiltração de água, a bactéria passa a agir se alimentando do lactato de cálcio presente na cápsula. Após consumir a mistura a bactéria origina o calcário como produto de sua digestão, realizando então o preenchimento da fissura.


Segundo o cientista o tempo de validade dos bacilos não é preocupante pois os mesmos podem viver cerca de 200 anos encapsulados, entretanto um fator que talvez possa influenciar no investimento seria a limitação com relação somente à espessura da fenda não podendo ultrapassar 0.8 mm.


Apesar de ser uma inovação para o ramo da construção civil, o produto ainda não foi liberado para o mercado, sendo que existem apenas projetos piloto em uma residência que estão sendo regularmente inspecionados pelo microbiologista.


O concreto auto recuperável tem um elevado valor agregado, já que, segundo o próprio cientista, esse investimento consiste na economia com reparos futuros, algo que na Europa o valor do concreto vivo, criado pelo cientista é cerca de 40% mais caro que o concreto convencional.


Além do bioconcreto, o microbiologista, juntamente com sua equipe, adaptou o conceito e desenvolveram também um líquido que pode ser aplicado sob o concreto convencional com a intenção de realizar reparos em fissuras já existentes ou até mesmo proteger a edificação e também uma argamassa para utilização em reparos maiores.


A inovação no uso de matéria orgânica e complementos agregados aos materiais da construção civil tem se tornado uma ótima estratégia para mudança de paradigmas sustentáveis no setor.


Os custos ainda são altos para a aquisição desses produtos ecologicamente corretos, no entanto o estudo e desenvolvimento de pesquisas mais aprofundadas em cada caso pode trazer uma nova vertente de mercado para a construção civil nos próximos anos, consolidando ainda mais o desenvolvimento e a capacidade de adaptação que tanto é necessário para o futuro dos empreendimentos.


 


por Gian Franco Werner¹ Nathalia Guandalim²


Msc, Engenheiro e Perito Ambiental, Eng. de Segurança do Trabalho¹


Acadêmica do Curso de Engenharia Ambiental e Sanitaria²



Compartilhe